Grupo de AP - Escola Secundária de Pombal, 12º B, ano lectivo 2009/2010 - enfrenta com bravura artigos sobre neurociência, empresas de brain fitness, teorias de auto-ajuda e a preguiça para descobrir como pôr os seus neurónios a cintilar.

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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

As Questões do Koios

Começando pelo início e respondendo às questões que urgem ser respondidas: o Koios é a nossa mascote. O site Behind The Name foi quase tão visitado quanto a Wikipedia ao longo do nosso trabalho, e uma das mais acessas discussões internas foi qual dos nomes que significavam "inteligência" devíamos pôr ao boneco. Isto para explicar que Koios tem o nome do titã da inteligência na mitologia grega. Adiante.

 

Trabalho de AP que se preze tem que distribuir inquéritos pela escola, e foi nesta linha de pensamento que surgiram as nossas questões sobre propriedades fantásticas do cérebro (ou então magníficas falsidades). Entretanto, ponderámos que recolher as respostas seria completamente irrelevante, já que o objectivo era provocar a reflexão e trazer clientela aqui ao blog. Bem sabemos que "provocar a reflexão" soa presumido, mas estudámos a reacção às perguntas num ambiente controlado (a turma, óbvio) e somos pessoas felizes quando dizemos que houve confusão e gritaria e pouco faltou para a porrada. De qualquer forma, aqui estão as perguntas. Sintam-se à vontade para responder nos comentários (a todas, a metade, só a uma, etc.).

  1. Só usamos 10% do nosso cérebro.
  2. Os neurónios nunca são substituídos ao longo da vida adulta.
  3. Sudoku e outros jogos de lógica podem melhorar e tornar mais rápido o nosso raciocínio.
  4. Existem áreas específicas para cada uma das funcionalidades (visão, audição, leitura, criatividade, etc.) do cérebro.
  5. Uma pessoa sofre um aneurisma que mata uma parte do cérebro e perde determinadas capacidades; partes saudáveis do cérebro podem modificar-se para desempenhar essas tarefas.
  6. Um violinista utiliza a mão direita para segurar o arco, um movimento simples, enquanto a mão esquerda faz vários movimentos; logo, a região que coordena a mão esquerda é mais desenvolvida e maior do que a coordena a mão direita.
  7. Ver televisão torna-nos estúpidos.
  8. Se nos habituarmos a fazer determinada actividade, o cérebro vai progressivamente esforçar-se menos para a desempenhar.
  9. Os cérebros de pessoas mais inteligentes demonstram um maior nível de actividade.
  10. O exercício físico tem um efeito directo num melhor desempenho do cérebro.

 

1. Falso. Peta. Mintira. Uma escandalosa amostra de conhecimento contrafeito. Embora não usemos toda as capacidades do cérebro ao mesmo tempo, usamos certamente tudo em diferentes ocasiões. Portanto, podem esquecer as capacidades sobrenaturais e doutorados em universidades Ivy League que iam conseguir mal aproveitassem o resto da vossa massa cinzenta. Podem ler o meritório trabalho deste magnífico site sobre mitos e lendas urbanas acerca do assunto aqui.
2. Verdadeiro, embora a pergunta seja traiçoeira. Os neurónios não são substituídos como acontece, por exemplo, no sistema digestivo. Falsa é, no entanto, a ideia de que não se formam novos neurónios no cérebro adulto. Trata-se de um mito comum, mas que foi desmentido em 1998, quando um estudo de Peter Eriksson e Fred Gage demonstrou que novos neurónios surgiam ao longo da vida adulta no hipocampo. À altura, o artigo representou uma viragem marcante nos conhecimentos da neurociência, uma vez que era aceite que os neurónios, sendo células altamente especializadas, não tinham capacidade de se dividir. 
3. Esta questão é bastante polémica dentro da comunidade científica, e o objectivo do nosso trabalho será mostrar-vos ambos os lados da questão. Assim, não podemos afirmar com certeza absoluta que este tipo de actividades ajudem realmente a tornar mais rápido o nosso raciocínio, havendo estudos contra e a favor. Várias empresas têm-se servido deste pressuposto criando vários jogos para melhorar o nosso raciocínio.
4. A noção de localização funcional do cérebro (modularity of mind) é aceite pela comunidade científica. No entanto, cada função, como as imaginamos e dividimos, não tem a sua parte específica: algo como a leitura activa várias partes do cérebro, que comunicam entre si de modo a nos pôr realmente a ler. O site da BBC dispõe de um mapa do cérebro que demonstra este pressuposto.
5. Verdadeira. Existem casos documentados deste fenómeno, tendo estes despoletado a investigação sobre a capacidade do cérebro se modificar.
6. Verdade. Este caso específico foi utilizado pela SuperInteressante (nº 110, Junho de 2007) para explicar o conceito de neuroplasticidade, que implica que as nossas actividades diárias alteram fisicamente o nosso cérebro e este reorganiza as suas ligações nervosas (sinapses) de modo a desempenhar as suas funções. O mapa cerebral de violinistas foi estudado por cientistas, com recurso a técnicas de neuroimagem, o que mostrou este fenómeno curioso.
7. A questão é posta de uma forma algo atabalhoada, mas a ideia geral está certa – o que não equivale, atenção, a dizer que sentar-se à frente da televisão vai provocar um atraso mental acentuado em menos de duas semanas. O que acontece é que ver televisão é uma acção bastante passiva para o cérebro, que o “exercita” muito menos que outras actividades, mesmo as aproximadas, como ler um livro.
8. Verdade. Qualquer nova actividade ou conhecimento leva a que se formem novas conexões mentais. Quando a repetimos estamos apenas a reutilizar a conexão que já tinha sido formada.
9. Falso. Cérebros de pessoas que foram admitidas como sendo mais inteligentes mostraram menores níveis de actividade em exames de neuroimagem do que os menos inteligentes. Digamos que a questão da "inteligência" é a da eficiência energética, como um electrodoméstico, e não a de quantos cavalos o cérebro tem.
10. Verdade. De acordo com estudos realizados, a prática de exercício físico leva à génese de novas células nervosas. Através do estudo do comportamento de ratos criados em ambientes mais propícios à prática de exercício físico (gaiolas onde existiam mais brinquedos e túneis do que uma gaiola padrão) foi possível verificar um aumento no número de novos neurónios criados nestes ratos (artigo).
 
publicado por Os Neurónios às 22:24
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